Entre Tragédias e Memória: O Dever Ético de Reconhecer Sofrimentos de Todos os Povos
As Nações Unidas aprovaram a “Declaração sobre o Tráfico de Africanos Escravizados e a Escravatura de Africanos como o Mais Grave Crime Contra a Humanidade” , reconhecendo formalmente a magnitude e brutalidade desta tragédia histórica. O tráfico transatlântico de escravos durou cerca de quatro séculos, vitimando mais de 12 milhões de africanos e destruindo culturas inteiras, famílias e comunidades. Este reconhecimento da ONU é um marco importante de justiça simbólica, mas também levanta questões sobre a forma como o sofrimento humano é politicamente instrumentalizado. A resolução vai ainda mais longe ao exigir reparações dos países envolvidos no tráfico. Essa exigência não é, em si, injusta. No entanto, o texto ignora um facto essencial: a participação ativa de alguns africanos na captura e venda de outros africanos , parte integrante do comércio transatlântico. Ao omitir essa dimensão, a narrativa internacional apresenta uma versão incompleta da história, reduzindo responsabili...
